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Saúde

Estudo aponta falta de um milhar de enfermeiros nos cuidados continuados da região Centro

por Redação

14 de Fevereiro de 2020, 17:23

Foto Arquivo Jornal do Centro

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As Unidades de Cuidados Continuados Integrados (UCCI) da região Centro têm falta de um milhar de enfermeiros, concluiu um estudo realizado pela Secção Regional do Centro (SRCentro) da Ordem dos Enfermeiros. 

O estudo incidiu em 29 das 112 UCCI da região Centro, que abrange os distritos de Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu.

Em declarações à agência Lusa, o enfermeiro João Neves, um dos responsáveis pelo estudo, disse que naquelas unidades faltam, no total, 1.072 enfermeiros, "à luz da norma existente na Ordem dos Enfermeiros".

"Este défice causa vários impactos, nomeadamente ao nível da segurança dos cuidados prestados e de prevenção para a saúde", salientou.

De acordo com João Neves, os doentes das UCCI apresentam um alto nível de risco, "pelo que se não houver enfermeiros em número suficiente para os acompanhar os riscos são ainda maiores".

Os enfermeiros ao serviço destas unidades são também "muito jovens (51,6%), sem especialização (93,6%) e pouca experiência, muitos deles com contratos de prestação de serviços (49,4%)" e metade a trabalhar em part-time.

João Neves considera que é necessário demonstrar que o normativo legal tem de ser revisto, o que irá aumentar o défice de enfermeiros nas unidades, de forma a evitar que durante a noite não esteja apenas um enfermeiro de serviço em UCCI de 30 utentes, por exemplo.

A falta de financiamento estatal é, para aquele enfermeiro, uma das causas que leva a que as instituições ou entidades privadas não consigam fixar as equipas de enfermeiros que, em média, mudam 25% ao ano.

"A complexidade e dependência dos doentes na rede é inegável, colocando-se duas questões: queremos continuar a subfinanciar as instituições de tal modo que não possam contratar enfermeiros e dar-lhes condições financeiras e de segurança para ali trabalharem? Queremos manter normativos legais que permitem às instituições funcionar com tamanho défice de enfermeiros? Na verdade, pensamos em cuidar com (que) qualidade?", questiona o coordenador do estudo.

O estudo da SRCentro da Ordem dos Enfermeiros avaliou também os Serviços de Urgência com atendimento permanente em 23 instituições, nas quais houve 1.395.017 de atendimentos.

A maioria dos profissionais de enfermagem a trabalhar nestes serviços são mulheres (710 e 295 homens), mas apenas 62% têm formação em Suporte Avançado de Vida.

"Pese embora 20% dos utentes tenham permanecido mais de seis horas no Serviço de Urgência, a taxa de readmissão registada foi de 4,8%", refere o estudo.